domingo, 7 de abril de 2013

Cristãos de um só Cristo

Cristãos de um só Cristo
 
A religião que mais cresce no mundo é a muçulmana, o Islã. Estima-se que em 20 anos seja a religião predominante na Europa. Enquanto isto, nós cristãos nos dividimos em inúmeras vertentes, o que gera novas oportunidades de acesso a fé, mas também fragiliza a nossa unidade. Afinal, não somos todos de Cristo?.
 
Me dói ouvir um cristão falando de outro, somente porque não comungam dos mesmos pensamentos, da mesma igreja. As igrejas são comunidades, assim como desde o principio do cristianismo, propensas a seguirem líderes, e seus entendimentos da fé. Paulo, já bem no começo observou isto, na comunidade de Corinto, onde já havia contendas:
“Quero dizer com isto que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo”, (Co 1:12), e questiona: “Está Cristo dividido?”, (Co 1:13)
E Paulo insistia, pois prezava pela unidade da comunidade: “Rogo-vos...sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (Co 1:10)
 
As lideranças conduzem grupos que prezam pelo mesmo parecer, e ao longo da história existiram momentos onde estes grupos não entraram em acordo. O Cristo é o mesmo, e todos nós fazemos parte do mesmo corpo, que é Cristo. Mas os nossos pensamentos não o são. E desta maneira, já no século V, a igreja dividiu-se, (gerando a igreja ortodoxa copta, por exemplo). Desta maneira novas comunidades surgiram a partir das antigas comunidades, ou seja, novas igrejas.
 
Na verdade, você não precisa concordar com tudo que a igreja diz, mas respeitá-la. O seu encontro com Cristo é pessoal. A igreja deve ser o ambiente que lhe orienta, e conduz ao fortalecimento de sua fé. Também não deve ignorá-la, pois a fé é completa e gera muito mais frutos quando a vivemos com os outros. Cristo nos motiva a viver em comunidade, “Onde dois ou mais estiverem juntos em meu nome, lá estarei no meio deles”,( Mt 18,20 ), pois sabe que o meio que nos conduz melhor a felicidade são os relacionamentos. A busca de mudar, para se encontrar em uma outra igreja, parte da necessidade em encontrar quem pense igual a você, mas é uma busca sem fim. Desta maneira, as igrejas se multiplicam, sem necessidade.
 
A fé consciente é aquela que é capaz de concordar ou discordar do que a comunidade lhe diz, porém absorvendo e multiplicando aquilo que é essencial, construindo a sua igreja, ajudando a aperfeiçoa-la, visando a glória de Cristo, a glória de Deus.
Todos estamos em busca do caminho que Jesus nos deixou, para nos aproximarmos de Deus. Amar uns aos outros é o nosso maior mandamento, logo, devemos fazer um esforço para amar os nossos irmãos, cristãos ou não. Concordando ou discordando de  nossos pensamentos e maneira de seguir a nossa fé, são nossos irmãos. O ciclo de aceitação e afeição gera muitos frutos e constrói verdadeiramente o reino de Deus. Se queremos algum dia viver no reino de Deus, precisamos exercitar a convivência.
Assim sendo, respeitando nossas diferenças, aprendemos uns com os outros, e fortalecemos nosso bem maior, que é o corpo de Cristo. O mundo já questiona a todos nós. Não precisamos nos criticar também, precisamos nos unir. Católicos, evangélicos, ortodoxos e todos os demais cristãos, temos muito em comum, ou pelo menos, deveríamos ter.
 
Enquanto isto há uma ação do Ministério Publico querendo retirar das cédulas brasileiras a inscrição, “Louvado seja Deus”, por entender que agride pessoas de outros cultos. A cultura brasileira foi alicerçada pelos fundamentos cristãos. Quando perdemos nossas referencias, sejam elas católicas, como é o caso dos crucifixos nas repartições, ou não, todos perdem. Vide a Europa onde as novas gerações mal tem contato com a ideologia cristã.
Logo, as referencias cristãs são importantes a todos os nós, pois elas são parte da cultura do nosso país, e transcendem a religiosidade. Devemos nos unir em sua defesa
 
O melhor meio para demonstrar que a sua fé é verdadeira, que a sua igreja é um instrumento verdadeiro de fé, está no exemplo, estão nos frutos da sua fé. O legítimo cristão é aquele que pratica a misericórdia, a justiça, a piedade, o amor, não somente em palavras, mas em ações.
Um dos textos mais relevantes e completos que eu conheço na Biblia é encontrado na pequena epistola de São Tiago, que está localizada logo após as cartas de São Paulo. Lá encontramos o resumo do que é ser um verdadeiro cristão. Nos próximos textos tratarei sobre ela. Deixo aqui uma pequena passagem que fala por si só:
 
“Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder as suas obras repassadas de doçura e de sabedoria.” Tg 3, 13.
 
 Amigos, não julguemos nossos irmãos cristãos, antes, o apoiemos em sua fé. Afinal, uns são de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. Mas, todos, somos necessariamente do mesmo Cristo, POIS ELE É UM SÓ!.

domingo, 7 de outubro de 2012

SERVIR OU SER SERVIDO?


Servir ou ser servido?
Observo que ao longo do tempo a prática da fé vai tomando caminhos próprios de cada época, mas, e por causa disto, precisamos revisitar o propósito de nossa fé, da maneira que nos relacionamos com Deus. Pare e reflita, e questione: Vivemos para servir a Deus, ou para sermos servidos por Ele?.

Quando oramos, pedimos proteção, bênçãos para a nossa vida e nossa família, curas, conforto, agradecemos o que recebemos. Bilhões de pessoas também fazem isto todos os dias, e fazemos de uma maneira bem natural. Nos acostumamos nesta relação cotidiana. Mas quando algo inesperado acontece, perguntamos, porque Deus o permitiu?.

Mas imagine Deus tentando atender a vontade de todas as pessoas, passando o dia inteiro trabalhando em nosso favor, como nosso empregado, responsável por nos oferecer uma vida tranquila e cheia de momentos felizes?. É este o papel de Deus?.

Reduzimos muitas vezes a nossa fé nesta troca de favores, sem compreender que o nosso verdadeiro papel nesta relação é servir a Deus. O próprio Jesus, essência de Deus, viveu e morreu servindo ao Pai, e deixou para nós o caminho.

Quando servimos a Deus, servindo uns aos outros verdadeiramente, estamos construindo o reino de Deus.

A nossa fé, necessariamente, deve nos conduzir a compreender que somos instrumentos de Deus, para fazer a Sua vontade, que é a felicidade de todos. As mazelas deste mundo decorrem das consequências do nosso egoísmo.
Algumas religiões pregam a total submissão a Deus, e no outro extremo, vemos correntes cristãs que praticamente deixam Deus sujeito a nós...

Onde está você?

A caminhada não é simples, exige determinação, reavaliação. Porém o maior beneficiado é você mesmo!. Muitas vezes, inicio a semana cheio de boas intenções, e finalizo fazendo, quase sempre, uma análise que fui falho, ao viver tão preocupado com as minhas próprias demandas, e pouco agindo como instrumento de Deus.
Mas em cada oração, em cada participação na igreja, há a oportunidade para reafirmar os nossos propósitos cristãos. É o momento adequado para recuperarmos o sentido da nossa fé. Só há sentido viver uma prática que nos leve a compreender que a verdade presente na palavra que diz:

“Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas as coisas lhe serão acrescentadas”. (Mt6,33).

Deus está conosco, nos sonda, quer o nosso bem, mas espera de nós a multiplicação de suas graças. Se retemos elas para nós, quebramos o fluxo que poderia contaminar a todos, fazendo deste mundo uma extensão do paraíso.
Direcione a sua fé, e você vai sentir as graças se multiplicarem em sua vida!
Bênçãos para todos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Senhor, porque tu me abandonastes!

Uma das passagens mais emblemáticas do novo testamento, e que confunde algumas pessoas, é o momento que Jesus, após quase seis horas dependurado na cruz, dá um forte grito e exclama:
“Senhor, porque me abandonaste?”
Já ouvi algumas interpretações que procuram explicar este momento, repleto de dor, e com uma dose de desespero, algo que não se esperaria de Jesus. Uma linha, por exemplo, entende que naquele momento, tendo colhido todos os pecados do mundo para si, o Espirito Santo, que não habita em pecado, O teria deixado, e Ele, surpreso, em sua humanidade, reclamado. “E agora?”
A morte de Jesus na cruz, sem dúvida, fazia parte fundamental de Sua missão. Era algo que Ele desejava, era, como Ele mesmo dizia, o momento em que seria glorificado. Mas um dia antes, no Getsemani, lá estava Jesus, angustiado, vertendo lágrimas de sangue, prenunciando os sentimentos controversos que viveria em sua paixão, ao ser violentado por aqueles que Ele tanto amava, nós homens. É uma dor duplicada, a dor na carne, o sofrimento físico, que todos sabem, foi tamanho, mas também a dor no coração, diante da ignorância humana.
Jesus sabia, que seriam horas intensas, mas que enfim, Seu pai viria em seu socorro.
Quando Jesus gritou, alguns disseram: “Vejam, ele está chamando Elias!”, e em seguida, “Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”. O manifesto de Jesus carecia de uma resposta de Deus, e se, de alguma forma, Ele fosse se manifestar, seria naquele momento.  O grito de Jesus, seria, de fato, um pedido de socorro. Sua missão estava completa, e não havia mais motivo para que o seu sofrimento fosse prolongado.
O que vem a acontecer nos revela algo que ignoramos, e que as vezes passa desapercebido na leitura, mas que é maravilhoso. Deus vem mesmo salvá-lo!.
A crucificação era uma modalidade de morte associada a tortura. Uma morte lenta, onde não se morre pelos ferimentos, mas sufocado. Alguns cruz fixados poderiam passar dias pendurados, tentando apoiar-se de alguma maneira para respirar, pois a posição apertava o peito, e ao perder as forças, a pressão no tórax aumentava, até por fim, vencer a vitima. Jesus lá estava a seis horas, e logo depois de gritar, expirou, falecendo.
O versículo seguinte nos revela o mistério, dizendo: “Quando o oficial do exercito, que estava bem a frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: Na verdade, este homem era Filho de Deus”.  Olha que interessante!. O oficial fica espantado com aquilo. De fato, não se morre assim crucificado, repentinamente. O próprio Pilatos admirou-se com a noticia da morte breve de Jesus. Os ladrões precisaram ter suas pernas quebradas, para não terem onde se apoiar, e morrerem logo, pois não poderiam estar lá durante a páscoa. A morte de Jesus é uma resposta de Deus!. O Pai O salva pela morte!.
Essa revelação faz toda a diferença. Muitas vezes pedimos, em momentos de extrema dificuldade, para nós ou para queridos, a intervenção de Deus, mas não consideramos que a morte é uma dádiva de Deus, é uma maneira de sermos salvos do nosso sofrimento, como tento tratar no livro, “O vendedor de almas”.  Sem a morte, seriamos escravos da tortura da doença, ou da violência, da dor. A morte nos dá medo. Mas se a grande promessa deixada por Jesus, a grande porta aberta pelo Senhor, a grande ponte construída com o sacrifício de Cristo é exatamente a glória que Jesus sabia, seria manifestada, da vitória sobre a antiga morte, o triunfo da ressurreição!. Para que temer?. Jesus nos oferece a grande esperança fundamentada na NOVA VIDA!. A partir daquele momento, a morte deixa de ser morte para se transformar em vida, para todos aqueles que atravessam a ponte que é Cristo, e que nos conduz a Deus.
Confiando nas promessas de Cristo, que nos afirma, “Felizes os que choram, porque serão consolados~, “Felizes os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados”, sabemos que, independente da vida que tivemos na terra, sofredores , violentados ou injustiçados, todos seremos justificados. As forças terrenas não prevalecem, assim como não prevaleceram ao tentar calar Jesus com sua condenação. No fim, estamos somente nas mãos do Pai.
Bençãos para todos, é o que desejo. Se possível, comentem, e vejam também textos mais antigos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O pecado

Ao longo da minha vida, não tão longa assim, pude presenciar três diferentes momentos, em que o conceito de pecado me atingiu de maneira diferente. No primeiro momento confesso que não era capaz de definir o que era ou não era considerado pecado, mas a cultura cristã, predominantemente católica em minha casa e no Brasil, me ensinava que o pecado estava certamente ligado a desvios de conduta. Era a noção que eu tinha.
Em seguida, eu jovem, com o advento do movimento que difundiu as igrejas evangélicas, o pecado, em um primeiro momento, era visto em lugares e atitudes os quais eu não compreendia, e eram muitos lugares. A palavra “crente” estava associada a pessoas de vestimentas características, como mulheres de longas saias e cabelos grandes, e restrições no modo de viver. Fiquei confuso. Mas na continuidade deste processo, os evangélicos assumiram outras vertentes, e flexibilidades, cresceram e se espalharam, e a palavra crente passou a ser associada simplesmente a um homem e mulher de Deus. O pecado seria, então, aquilo que não era conveniente a um homem, ou mulher, de Deus.
Começamos então a falar de globalização, interatividade, liberdade de expressão, e o mundo conceitual se transformou rapidamente, assim como a noção de pecado. O certo e o errado também foram tomados por um nevoeiro denso e cuja fumaça de tantas informações, opiniões, e o respeito as diversidades, que não permite a um jovem, por exemplo, discernir claramente um do outro. O importante é ser feliz, e o que é certo passou a ser aquilo que eu quero, tirando roubar e matar, e ficar pelado no meio da rua (por enquanto).  Vivemos dentro da nova cultura, do individuo no centro do universo.
Cabe então revisitar o conceito de pecado, que está associado diretamente ao coletivo, e não ao individual. O homem foi criado por Deus para viver em sociedade, para ser feliz, mas sabedor que a felicidade está nos relacionamentos, buscou ditar regras que permitissem a convivência mutua, e não é a toa que toda a lei e os profetas, como se referia os judeus em relação as antigas escrituras, foi resumida por Jesus em amar a Deus sobre todas as coisas, e amar ao próximo, como a si mesmo. E complementou com um mandamento novo, “amai uns aos outros, como eu vos amei”, ou seja, um amor ainda maior, pleno.  A lei, então, não deveria ser mudada, mas cumprida. A lei pretendia motivar o bem estar dos relacionamentos entre nós.  Jesus chamava de hipocrisia o desdobramento de regras que foram criadas pelos homens, e que serviam apenas para nos manter  aprisionados na sensação de erro, mas não resguardavam a vontade única de seu pai, que era a de vivermos todos em comunhão, caminho este que nos traria felicidade plena.
Logo, o pecado, aquilo que nos distancia de Deus, está ligado a duas coisas básicas. Ferir o nosso amor por Deus, com a desobediência consciente, e ferir o nosso amor pelo próximo, gerando desamor. E é bastante importante atentarmos para isto.  O pecado existe, e traz a infelicidade para o mundo, logo qualquer cristão deve combatê-lo.
Para que se cometa um pecado, é preciso antes de tudo, uma decisão. Quando temos consciência de que algo é errado, e mesmo assim, tomamos a decisão de seguir em frente, desobedecendo a nossa própria consciência, e desobedecendo a Deus. E o que é desobedecer a Deus?. Aí está o link com a segunda condição, quase formando uma única: Gerar desamor.
O desamor está de fato na face oposta a essência de Deus, que é amor. E o desamor está hoje muito presente em nossa sociedade.  Quando pensamos de maneira egoísta, ou mesmo apenas individualista, deixamos de enxergar de que maneira aquilo vai refletir na vida do outro, quando vivemos na verdade, em comunidade. O pecado está então configurado na conseqüência de nossa atitude, quando gera desamor. Podemos assim facilmente avaliar o que é, ou não pecado, verificando se aquilo gera ou não, desamor.
A noção que eu tinha naquela primeira fase da minha vida, onde o pecado estava associado a desvios de conduta, ou na segunda, quando parecia  ligado a regras comportamentais, e posteriormente ao que era conveniente ou não para um homem ou mulher de Deus, agora estava mais claro, pois compreende tudo aquilo, mas com uma justificativa: Somos instrumentos de Deus para fazer a sua vontade na terra, que é gerar amor, e não desamor
Omissão diante do sofrimento do próximo também gera desamor, quando nos tornamos cúmplices dele. Certa vez havia em frente ao meu prédio um homem sofrido, bêbado,  pedindo ajuda, ao mesmo tempo incomodando, e ninguém fazia nada. Ele sentava-se na calçada, encostado a um muro, e eu saia, olhando aquela cena, sentindo vontade de fazer  algo, mas nem sabia ao certo o que, e logo já distante, apenas lamentava, e seguia para minhas responsabilidades.  Certo dia, pedi que servissem algo para ele, mas era algo paliativo, e aquela visão continuava me incomodando, cobrando algo de mim. Até que pensei em enfrentar a situação e ir falar com ele, saber mais de que maneira eu poderia, de fato, ajudá-lo. Ele havia desaparecido. Parece que a policia o havia levado. Foi como um tapa na minha cara, um sinal. Muitas outras vezes vivi situações semelhantes, como em Roma, na porta de um restaurante em uma noite muito fria. O velho sentado ao chão perto da entrada tocou meu coração, mas nada fiz. Já durante o jantar senti vontade de voltar lá e ajudá-lo, mas ele havia sumido. Ainda andei pelas proximidades, mas nada dele.  Isso me lembrou Jesus em (    ) quando Ele disse: “todas as vezes que não fizestes isto por um destes pequeninos, não o fizeste a mim”. Fui pecador cúmplice do sofrimento que poderia ter amenizado, consciente do que não fiz.
O pecado mancha a nossa alma, e é gerado na intenção, por isso o que é pecado para uns pode não ser para outro, assim como o que não é para você, pode ser para o outro, logo não devemos levar ao outro a pecar, simplesmente porque pensamos diferente. Se conduzimos alguém a fazer algo que ele julga errado, induzimos o pecado. Podemos sim, como é o propósito deste texto, fazê-lo rever alguns conceitos de pecado, e aí sim,  livres da culpa, avaliarem a conseqüência do ato, se promove amor, desamor ou é indiferente.
Livres da escravidão do pecado, que Jesus nos ofereceu por meio do arrependimento sincero, sejamos mensageiros do amor de Deus, conscientes de nossas atitudes, promovendo o que é bom, evitando julgar o que não conhecemos, ou criticar sem conhecimento de causa o próximo, sendo misericordiosos para entender as limitações dos outros, evitando o que possa prejudicar alguém, agindo diante da infelicidade do irmão, rindo com os que riem, chorando com os que choram, como já dizia o apostolo Paulo.  Ou seja, sejamos simplesmente, cristãos.
Graças para todos

sábado, 8 de outubro de 2011

Para quem está entrando

Aos amigos que estão visitando o blog, algumas explicações:
O texto cristãos e judeus está bem grande, pois foram duas postagens que agrupei por se tratar do mesmo tema. Convido-os a ler os textos mais antigos também, e mais curtos
Esta semana fiz o treinamento Amana Key, com um grupo bem interessante, aqui mesmo em Fortaleza. Foi uma excelente experiência, uma vez que precisaria normalmente ter me deslocado a São Paulo para tê-lo feito. Indico.
Tem como propósito formar gestores voltados a consciencia da organização no contexto humano, ético, e eficiente, onde as pessoas são capazes de extrapolar limites, uma vez que comprometidas em um propósito comum.
Isto me remete a algumas experiencias em encontros de casais com cristo, por exemplo. É de impressionar como as pessoas se comportam em um final de semana voltado integralmente para o serviço, muitos a frente de tarefas que jamais fariam no seu cotidiano, mas alí, envolvidos do ideal maior, alimentados pelo propósito de servir a Deus, e acreditando verdadeiramente nos frutos da iniciativa, se transformam, e trabalham firmemente com um sorriso intenso no rosto, o tempo que for necessário.
Isto demonstra que podemos realmente muito mais, e podemos envolver nossos colaboradores, colegas, chefes, todos, para desafios impensáveis, uma vez que se acredite de fato na visão, no propósito do desafio.
Gostaria de divulgar este espaço. O propósito é criar uma legião de pessoas conscientes de seu papel transformador em uma sociedade que prevaleça os reais ideais cristãos, de aceitação, consideração, respeito, perdão, amor fraterno, desprendimento, colaboração mutua, valorização do ser humano.
Convoco a todos para este desafio, e já agradeço, pois se você está acessando esta página, certamente busca o mesmo que eu

Bençãos a todos

domingo, 25 de setembro de 2011

Judeus e Cristãos - Tão perto e tão longe

Os irmãos judeus
Passamos boa parte de nossa vivencia da palavra nos reportando as glórias de Israel, a fé de Daniel, a fidelidade de alguns ícones da fé com o Senhor, Deus, no antigo testamento, que trata basicamente da história dos filhos de Jacó, ou Israel, ao longo da história, e seu relacionamento com YHWH, Javè, o Senhor.
 As infelidades do povo, os desvios, eram seguidos de desgraças, dispersão, dominação. E a misericordia de Deus, a partir do arrependimento do povo, os conduzia novamente a unidade, esperança e paz. Exaltamos em nossas comunidades os textos que nos impelem a colocar o Senhor em primeiro lugar.
Aproximadamente 500 anos antes de Cristo, os hebreus passaram por uma provação incrível, com Jerusalém destruída, e junto o templo, o povo exilado e espalhado em diversos povoados, como estrangeiros, sem forças, sem esperança. Foram dias terríveis. Mas esta provação, aos poucos, deu lugar primeiro a conclusão que a falta de fidelidade do povo em seu Deus os conduziu a este destino, segundo, deu forças a uma revisão da sua história, a busca de documentos, e a um desejo incontrolável de uma segunda chance. Quando Ciro conquistou a babilonia, e permitiu ao povo de Israel retornar a Jerusalém, com a possibilidade de voltarem a se enxergarem como um povo, uma unidade, em sua própria casa, foi para eles uma grande graça, e um momento de decisão. A partir dalí se  assumiu que a fidelidade em seu Deus seria o centro da vida da comunidade, e se iniciou a busca por formatar  um meio de manter o povo nesta unidade, baseada na fé, e como demonstração, nas leis de Moisés, que deveriam passar a reger as suas vidas. Seria este seguimento que os diferia, e os dava personalidade. Tinha origem, alí, o judaísmo.
Este movimento de fé, esta religião, se fortaleceu e se tornou cada vez mais rigida, como se o receio de flexibilizar fosse degradar a unidade, e tudo se perder. Os próximos 500 anos foram igualmente duros, mas também com momentos de glória, como quando os Macabeus, familia de sacerdotes, lideraram um movimento do povo, desta vez dominados pelos gregos, e foram vencedores, criando novamente o conceito do reino de Israel, e por consequencia, o inicio da relação entre os sacerdotes e o poder politico.
Poder está ligado diretamente com controle, e a fé se mostrou ao longo da história, um meio poderoso para isto. As leis de Deus determinam as leis da comunidade, e dão legitimidade a seus líderes. E assim, o seguimento das leis se tornava peça vital deste controle, mas também corria o risco de acabar por oprimir a vida das pessoas, pois sem conseguir seguir a risca tudo, estavam sempre em pecado, e devedores dos favores do templo, e dos sacerdotes.
Então chegou mais um dominador, Roma. E os romanos, mesmo permitindo a manifestação religiosa de seus dominados, impunham o poder politico, os impostos dedicados a Roma, uma liberdade vigiada que revoltava uma boa parcela da população, e ao mesmo tempo sugeria o seguimento de seus costumes e leis de uma maneira irrepreensivel, para não se sentirem contaminados com o intruso.

 Chega então entre eles, o fenomeno Jesus, que apesar de apresentado como um profeta, um homem de Deus, e aos poucos, como o possível messias, tinha atitudes que transtornavam principalmente os mais preocupados com a retidão dos ensinamentos das escrituras, e da lei. Os fariseus, por exemplo, eram os responsaveis pela disseminação dos preceitos da fé, e dos costumes, e trabalhavam junto ao povo para fortalecer o comprometimento de todos com este caminho, principalmente em face dos tempos que viviam no meio dos estrangeiros.  Porisso era muito dificil para eles aceitar Jesus e seus ensinamentos, que transcendiam o simples seguimento da lei, e muitas vezes poderia ser interpretado como um rompimento da mesma, finalizando pela idéia de divinização de Jesus, que para eles seria uma idolatria, uma blasfemia, uma agressão a Deus, a sua fé, e a sua história.
Enfim, um grande risco, caso aquele homem não fosse quem dizia ser.
Os judeus ficaram marcados, e pelo fato da fé cristã ter crescido e tomado proporções gigantescas em alguns momentos da história, poderiam ter sucumbido. Mas, mesmo assim, conduziram sua fé até os dias de hoje, e é delicado discutir com eles o porque de não aceitarem Jesus da mesma maneira que nós cristãos.
Tenho alguns amigos judeus, que respeitam rigorosamente alguns preceitos históricos, como o de não comer alguns alimentos como porco, alguns tipos de peixes, e mesmo carne, caso ela não tenha sido manipulada dentro das regras judaicas, ou seja, kosher, e ainda, param tudo na sexta feira a noite respeitando o sabat, sabado de Deus, mesmo que isto represente alguma perda pessoal.
Podemos não seguir ou concordar com a prática, mas sem duvida é um grande ato de fé, ou fidelidade ao que se acredita.
Estive lendo sobre o assunto, de modo a escrever sobre o que dificulta ainda hoje para o judeu aceitar a fé cristã.

Entre alguns artigos pude entender o seguinte:
Teológicamente, existem barreiras que nos separam, pois o povo judeu compreende Deus um ser infinito, e mesmo a leitura da palavra deve ressaltar a multiplicidade desta natureza, e porisso os rabinos extraem, das escrituras, infinitas mensagens e ensinamentos. A idéia de Deus presente na figura de um homem, na finitude de um corpo, é inaceitável.
Segundo, a noção de muitos, que nós cristãos acreditamos em um homem que se fez Deus, ou que fizemos dele o nosso Deus, diferente da idéia de Deus, o mesmo Deus de Israel, que mandou o seu filho, essencia de sua essencia divina, para habitar entre nós e nos conduzir a Ele. E como entendemos Jesus como Deus, em sua essencia, assim como o Espirito Santo, creem que divergimos da noção do judeu que Deus é uno, é único, o Todo poderoso. Estariamos então questionando a mensagem fundamental de fé “Escutai, ó Israel, o Senhor teu Deus. O Senhor é único”, que se fundamenta  na unidade de Deus.
Mas na verdade acreditamos em um Deus uno que se fez trino, para nos alcançar mais de perto, fisicamente por intermédio de Jesus, espiritualmente por intermédio do Espirito Santo, porém ainda único, inserido no todo que é Deus. Apesar de ser dificil, para muitos, entender.
Também é dificil para eles aceitarem o conceito da mediação, em que precisariamos de Jesus para mediar nosso relacionamento com Deus. Para eles não há mediação entre eles e Deus.
 Mas como aceitamos Jesus como Deus, no papel do filho, mas essencia de um Deus trino, mas uno, entendemos que nos dirigimos direto a Deus, indo a Jesus. Mesmo os judeus utilizaram ao longo da história mediadores a Deus, como os próprios sacerdotes, que eram necessários para pedir pela expiação dos pecados do povo.  No entanto a relação do povo de Deus, com o seu Deus,no entendimento judaico, como disse, estranha a necessidade de qualquer mediador
Nos primordios das comunidades cristãs, o entendimento dos judeus que perseguiam cristãos, como Paulo, ainda no tempo chamado de Saulo, (antes de sua conversão), era de que Cristãos se tratavam de uma seita que tinha o interesse em desviar a fé do povo de Israel, logo deveria ser combatida.
 A convicção em sua fé secular e na fidelidade aos seus costumes personalizavam o povo judeu, e este povo, aproximadamente quarenta anos após a morte de Jesus, foi disperso novamente pelo mundo, com Jerusalém destruída, seu templo, muitas familias dizimadas. Mais uma vez a sua unidade estaria no seguimento da fé de seus pais. 
No entanto, de potenciais perseguidores, agora seriam eles que sofreriam durante o resto da história perseguições em nome de Jesus. Desde o imperador romano Constantino, convertido ao cristianismo, no seculo 4, que os judeus são perseguidos.
 Roma se tornou cristã, e quem não aceitasse a fé, e fosse batizado, seria morto. Alguns judeus foram batizados, outros mortos, em nome de Jesus. E muitas atrocidades foram feitas em nome de Jesus, o que é dificil para qualquer um entender. Nas intermináveis guerras das cruzadas, judeus foram também queimados ouvindo canticos de louvor a Jesus, assim como na idade média, onde eram discriminados para viverem nos guetos, afastados dos “bons cristãos”, em nome de Jesus. Como eu disse, a religião é um meio poderoso de controle, e a igreja se tornava cada vez mais politica, pessoas transformaram a igreja em um meio de alcançar poder, e ela substituiu o poder da Roma dos imperadores, em decadencia, pelo poder ainda maior validado pela fé.
Nesta época não existiam as diversas denominações de igrejas cristãs como hoje, mas também não adianta se pensar que nenhum de nós, como cristãos, podemos ser questionados por estes fatos, uma vez que as denominações atuais, praticamente todas, derivam daquela igreja, que representava a cristandade. Lógicamente que os conceitos foram questionados e deram origem as novas igrejas, inclusive a atual igreja católica, bem diferente conceitualmente da medieval
No auge deste erro, alguns papas eram nomeados sem nenhuma relação com a espiritualidade, mas pelos poderosos, querendo se perpetuar no poder. A igreja fora sequestrada.
Na inquisição espanhola, muitos judeus foram deportados, torturados e mortos, em nome de Jesus, e em inúmeros momentos judeus preferiram perecer que negar a sua fé.  
É claro que Jesus jamais quis isto, e que muito do que foi feito é fruto da ignorancia humana, perpetuada até hoje nos casos de conflitos religiosos, onde os dois lados na verdade estão no sentido contrário da pregação de suas religiões. Mas de fato, empunhando o nome de Jesus, e entendendo que estavam fazendo a coisa certa,muitos irmãos judeus sofreram absurdamente nas mãos de cristãos
Mais tarde, como já disse, a igreja, que era a católica, começou o seu caminho de volta, resgatando a sua dimensão verdadeiramente espiritual, uma vez que se deparava com o movimento protestante, que gerou a multiplicidade da igreja cristã, e se depurou.
Então é muito dificil o judeu olhar para seus antepassados, que morreram pela afirmaçao de sua fé, e agora aceitarem o cristianismo sem se sentirem traindo a sua história. Isto também dificulta inclusive a discussão do tema com eles
Uma maneira que nos faz verdadeiramente demonstrar a essencia da fé cristã é com o nosso exemplo, perante os judeus e os outros, de pessoas que por serem cristãos, amam, aceitam, acolhem, entendem as diferenças, e assim, manifestam a vontade, e os ensinamentos de Jesus.  Nossa crença se manifesta em nossas atitudes, e é principalmente assim que vão valorizar nossa fé.
Bençãos para todos!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Liberdade religiosa?

Fala-se muito em liberdade religiosa nos dias de hoje. Mas, todas as vezes que alguém, especialmente um cristão, expressa publicamente a sua fé, uma polemica é gerada, sob a alegação de que a atitude fere o direito das pessoas de outras correntes de fé.
Existem ainda ações, contestações judiciais, que visam excluir o ensino religioso nas escolas, mesmo o facultativo, seja de conotação católica ou evangélica, e muitos outros questionamentos, pois o estado é laico, independente de conotação religiosa.

As vozes se multiplicam, apoiadas pela midia, que acredita estar defendendo o direito dos excluídos.
Mas o que é então a liberdade religiosa?. Ser obrigado a esconder a fé para não “agredir” alguém seria um exemplo de defesa da liberdade religiosa, ou seria, na verdade, cercear a religiosidade?.
Não seria liberdade poder expressar livremente sua religião e ninguém se sentir agredido ou constrangido,  pelo simples fato de que cada um tem direito a expressar a sua fé, seja este cristão, ou não?.

Peço desculpas por tratar aqui de um tema não conceitual
O fato, é que as mesmas vozes defendem a liberdade de opção sexual, algo amplamente discutido nos tempos de hoje. Mas neste caso, adotam como liberdade sexual  o direito de expressar livremente a sua sexualidade, tendo os outros o dever de respeitar a posição adotada, mesmo que muitos não concordem, ou sintam-se incomodados com determinadas atitudes desta liberdade.
Porque o conceito de liberdade nos dois casos são tratados de maneira diferente?. Ou seja, de um lado (opção sexual), defende-se o direito a expressão, e de outro (liberdade religiosa), se combate esta mesma expressão?
A sensação é de privilegiar o direito de uns, em detrimento dos outros, o que é, no minimo, equivocado. Entende-se que a minoria é constrangida pela maioria, pelo simples fato de serem maioria.

E a palavra liberdade muda em função da ótica da minoria que se acha afetada. (E que se mobiliza)
Vivemos em uma democracia, que busca o bem de todos, mas, como toda democracia, expressa o pensamento da maioria. No entanto, as vezes, as minorias são muito mais organizadas em defesa de seus direitos que a chamada maioria. Enquanto isto, nós cristãos muitas vezes nos preocupamos com nossas diferenças, ao invés de nos unirmos em defesa da cultura cristã.

A manifestação cristã no Brasil excede a religião, pois se confunde com a cultura do brasileiro. O Brasil nasceu e cresceu sob a cultura cristã, e faz parte da identidade do brasileiro em sua maioria. Na essencia da mensagem de Jesus está o respeito ao próximo. Ele nos ensina a amar até ao inimigo, quanto mais o diferente. Como cristãos podemos discordar e criticar o homossexualismo, por exemplo, mas jamais discriminar, agredir. Cristo nos ensina a amar. É esta ideologia que conduziu até hoje, as minimas tensões religiosas que vivemos, comparadas as de outros países.

Este não é um espaço para questões politicas, mas postei este comentário devido a uma preocupação com a perda da identidade de nosso povo. Defende-se por exemplo o respeito a religião dos povos indigenas como um direito de identidade própria, mas se combate a religião cristã, em sua manifestação, por ser da maioria e constranger a minoria, esquecendo que a ideologia cristã faz parte de nossa identidade, independente do estado ser laico, ou não.

Ser laico não deve ser o mesmo que ateu, e o que estou questionando é a personalidade de nossa formação cultural, que está entranhada das ideologias dos povos que nos formaram, multiplas, porém que prevaleceu a cristã. Porque agora devemos esquecer isto em face do governo ser laico?.

Extrair direitos da maioria, especialmente em um campo delicado como o da religiosidade, serve apenas para gerar uma tensão extra desnecessária, fruto do sentimento de perda que a população cristã no Brasil vem experimentando com as recentes decisões de nossos legisladores, culminando pelo risco de se transferir a responsabilidade destas perdas para os futuros beneficiados, e aí sim, criarmos um antagonismo institucionalizado, controlado apenas por lei.
Liberdade religiosa é algo próximo do que se vive no Brasil, mas claro, pode ser aperfeiçoada, com educação, participação das próprias igrejas cristãs orientando seus fiéis a viverem a verdadeira palavra de Cristo, que por sí só visa promover a aceitação. Basta primeiro se entender o que quer dizer , de verdade, liberdade.
Bençãos para todos!